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Pushing the conversation on gender equality.

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Como os homens podem ajudar as mulheres em TI?

Escrito por Jonathan Howard, traduzido para português por Marco Dubovski e revisado por Andressa Chiara para Code Like A Girl. Original aqui.

Gender Equality por Rupam Das (Flickr, Creative Commons).

Com as recentes notícias sobre assédio no Uber e Venture Capitals, você deve ter percebido o quanto tem cabido às mulheres a parte mais difícil… São elas que acabam tendo que colocar suas reputações em risco ao denunciar os homens que estão numa situação do poder dominante; que estão numa posição onde a reação é retaliar.

Mulheres têm que lidar com a perspectiva de não serem ouvidas, de não ter credibilidade, de serem humilhadas, rotuladas de “complicadas”, “exageradas”, “feminazis” ou ter sua intimidade publicadas sem seu consentimento.

Mesmo que consigam que acreditem nelas, se elas levam a cabo a denúncia de forma aberta, sem se valer da “segurança” do anonimato, recebem um rótulo na mente das pessoas, ficam marcadas nas buscas do Google, etc.

Tenho visto movimentos convocando os homens a fazer mais. Tenho visto homens bem intencionados procurando entender COMO podem fazer mais. Não me considero um especialista, mas posso compartilhar o que as mulheres que fazem parte da minha vida me ensinaram. Se você tem ideias, por favor divida! Eu adoraria aprender mais.

Abaixo 10 coisas que os homens podem fazer de verdade para apoiar as mulheres contra o sexismo e o assédio. (Ainda que esses temas sejam mais facilmente associados ao universo das mulheres, o conceito pode — e deve — ser aplicado também para racismo, homofobia e quaisquer outras minorias das quais você não faz parte, mesmo que alguém diga essas questões não façam parte da interseccionalidade)

Vamos começar com as fáceis:

1- Assista este vídeo. São apenas 4 minutos. Ele aborda de forma muito interessante o conceito e a percepção de privilégio na sociedade. O que as pessoas querem dizer quando falam sobre privilégio? Quais são os privilégios que você tem e os outros não? Quais são os que você não tem?

Perceba que ter algum tipo de privilégio não tira o mérito de qualquer situação difícil que você tenha passado nem qualquer esforço que você tenha feito ou faça no seu dia-a-dia. Por exemplo, veja essa thread do CEO do Slack, um dos apps voltados para negócio que experimentou um dos crescimentos mais rápidos de todos os tempos. Leia e se pergunte: você respeita mais pessoas que se posicionam da forma como ele se posicionou? Respeita menos? Por quê?

2- Leia este artigo e se desafie a pensar não de forma micro, mas de forma sistêmica. Quais sistemas você é capaz de identificar no seu ambiente de trabalho? http://everydayfeminism.com/2014/09/what-is-privilege/

3- Leia a thread da Susan Fowler falando sobre o quanto atitudes comumente consideradas normais ou bobas são consideradas assédio perante os olhos da justiça; sobre alguns tipo de atitudes tidas como brincadeira ou modelos do tipo “ser/não ser” não são realmente o problema a ser considerado.

Ok, até aqui os pontos foram mais orientados para nossa visão interior. Vamos partir para a ação! O próximo ponto é fácil.

4- Siga mais mulheres no Twitter. Para mostrar um exemplo real, abaixo estou eu pedindo sugestões de mulheres para seguis aos meus amigos. As respostas foram incríveis.

5- Retuíte mais posts de mulheres. Um homem chamado Anil Dash passou um ano inteiro retuitando apenas posts de mulheres. O resultado está nesse artigo. Vale a pena ler.

The Year I Didn’t Retweet Men

6- Apoie a #DecencyPledge, de Reid Hoffman. Mesmo que você não seja um investidor, assuma o compromisso de aplicar a ideia no seu dia-a-dia, seja no trabalho, seja nas relações pessoais.

7- Desenvolva e alimente um profundo respeito nos seus relacionamentos com qualquer mulher (óbvio, não?). Você vai começar a ouvir mais relatos abertos e sinceros sobre o assunto. Saiba que leva tempo, o resultado não é imediato.

“Seja amigo das mulheres” pode parecer óbvio, mas há uma sutileza oculta na frase: relacionamentos influenciam nossas escolhas de com quem passamos nosso tempo. Isso, por sua vez, influencia a escolher em quem simpatizamos, compreendemos e confiamos. E ter pessoas em que confiamos influencia em a quem pedimos conselhos, quem promovemos no trabalho, etc.

8- Pergunte de forma explícita para amigas mulheres o que elas acham dessas questões. E prepare-se para ouvir de forma plena. Se policie para não se comportar de forma defensiva. Pra ajudar, seguem de exemplo algumas perguntas que podem ser usadas, conforme o tipo e grau de relacionamento:

Eu gostaria de evitar investidores com histórias de assédio. Você já ouviu alguma coisa, se sente confortável em compartilhar algo sobre isso?

Eu gostaria de evitar ser cliente ou trabalhar para uma empresa que tenha algum histórico de assédio. Você se sente confortável em compartilhar algo sobre isso?

Eu gostaria de conhecer um pouco mais sobre as experiências de mulheres no ambiente de tecnologia, mas não consigo pensar numa forma de buscar informações. Você se sente confortável em compartilhar algo sobre isso?

Eu gostaria de fazer mais do que apenas apoiar as mulheres no ambiente de tecnologia, mas não estou certo de como posso ajudar mais. O que mais você acredita que posso fazer para ser útil?

(E para relacionamentos onde haja um nível mais profundo de intimidade e confiança para uma resposta realmente sincera):

Alguma vez eu disse ou fiz algo que tenha deixado você ou outras pessoas numa situação de desconforto?

9- Escreva. Registre. Não importa o tamanho, agradecimento é importante.

Mesmo que não seja público, escrever sobre assuntos do “universo das mulheres” ajuda a tornar os pensamentos mais claros e torna mais natural falar sobre os assuntos posteriormente. Não sabe o que dizer? Você pode se inspirar nessa discussão de investidores homens no twitter da Ellen K. Pao.

10- Mande rascunhos de forma privada para mulheres que sejam próximas a você, e peça feedback para elas mantendo a mente aberta. (De novo, esteja preparado para ouvir de verdade. Tome cuidado para não se colocar em posição de defesa.)

Se você ficar preocupado com a possibilidade de sem querer dizer algo inapropriado, aceite um conselho de quem já disse: sim, você vai falar a coisa errada. Tudo bem. Faça disso uma lição. Reescreva. E repita.

Todo mundo erra, mas é possível ter um discurso civilizado. Mesmo em assuntos extremamente delicados.

O que importa mesmo é você tentar.

Esse artigo foi publicado em formato de blog a pedidos — originalmente o conteúdo foi uma thread do twitter. Por favor, sinta-se à vontade para comentar/acrescentar! Seria ótimo saber sua opinião.

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