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Em tempos de crise, sofremos com assédio moral

Photo by Isaiah Rustad on Unsplash

Como todos bem sabem, estamos em meio a uma crise Nacional. A greve dos caminhoneiros está afetando todos os sentidos da nossa vida: casa, trabalho, relacionamentos… Está bem difícil passar os dias e não pensar em todo esse problema. Nossa cabeça fica à mil, ainda mais por conta das responsabilidades que chamamos para nós, sendo mães, trabalhadoras e gestoras do lar.

Em meio a diversas dificuldades, chegar ao trabalho e voltar tem sido complicado. Há trabalhadores que acabam não comparecendo, com receio de não terem como voltar. Com isso, faltei um dia ao trabalho e, nos outros, estou tentando fazer o translado com o combustível que tenho, sabendo que se continuar assim, ele não dura até o final da semana.

No dia seguinte à minha falta, fui chamada a uma salinha para uma “conversa”. Dentre outras coisas, me pediram para compensar essas horas de ausência. Sair mais tarde durante a semana, ou vir trabalhar no feriado. Really? Concordei, o que mais poderia fazer? Ainda tive que ouvir:

“Não queremos ter que mandar um pessoa embora por conta de bobagem; o mercado anda tão difícil…

Em meio a essa crise toda, com tantas preocupações na nossa cabeça, preciso me preocupar em compensar 4 horas numa semana curta, tendo que ficar 1h mais tarde ou vindo trabalhar no feriado, sendo que nem sei se vai ter transporte para ir ao trabalho ou para voltar para casa.

Quantos de nós não estamos passando por isso? Eu vi uma amiga recebendo mensagens do mesmo tipo do seu chefe no final de semana. E sei que não está acontecendo apenas com nós mulheres. Assédio moral é crime, mas quantos de nós não “deixamos para lá” esse tipo de ameça? Que aliás é sempre disfarçada de uma “conversinha” ou um “bate-papo”…

E para quem pensa que isso é mérito apenas da área de TI ou ainda, pensa que por ser de tecnologia, que é “mais para frente”, esse tipo de coisa não aconteceria, estou eu aqui para provar.

É frequente ouvirmos reclamações sobre estar "difícil reter talentos em TI", ou que "os trabalhadores hoje em dia não vestem a camisa da empresa". O que as empresas deixam de perceber é que este é um caminho de mão dupla: o funcionário passa a ter preocupação e senso de responsabilidade para com a empresa na medida em que ele se vê acolhido e amparado. Quando um funcionário percebe que pode ser descartado facilmente, ele também começa a nutrir a mesma percepção frente à empresa. Com isso, temos altas taxas de turnover e grande perda de conhecimento.

Este tipo de comportamento, esta ameaça velada, faz com que todos os envolvidos percam. Precisamos nos conscientizar deste efeito nocivo e sermos pessoas e profissionais melhores.

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