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Lute como uma Josi

Saiba como Josilene Santana, negra nordestina de origem humilde, tem aberto caminhos na área de TI

O nome é Maria Josilene Santana, mas pode chamar de Josi que ela atende com a mesma atenção e vontade de ajudar, porque é o natural dela. Foi o jeito que aprendeu a tratar as pessoas em casa, com a mãe Antonieta, o pai e os oito irmãos, todos criados em Jaboatão Velho, Região Metropolitana do Recife. Com a família, Josi também aprendeu que é preciso muita dedicação, honestidade e foco em seu propósito para construir algo de verdade. Com essas bases, o empreendedorismo começou cedo na vida dela. Ainda criança, ajudava os pais na banca que eles tinham na feira e vendia os móveis usados da casa.

Mas só vocação não basta, não é mesmo? Mesmo com a força dos valores familiares, a perspectiva para ela eram iguais às das irmãs: casar, ter filhos e virar dona de casa, com todas as limitações que a expressão encerra. Não era o que Josi queria. Não fazia sentido para ela. Por isso desde a adolescência procurou cursos de capacitação que pudessem levá-la onde nenhuma mulher da família tinha chegado, ao ensino superior e ao mercado de trabalho. Uma jornada nada fácil para quem não tinha dinheiro para uma escola particular e perdeu sua maior referência aos 19 anos.

No sepultamento de sua mãe, Josi fez uma promessa: ia entrar na faculdade e daria muito orgulho à mulher que lhe ensinou o que é a vida.

Josi já estava trabalhando em Petrolina (a 700km do Recife), para onde foi atrás de emprego. Lá conseguiu entrar na faculdade, aos 24 anos. Era a primeira vez que podia pagar para estudar e escolheu uma área em que ela via mais oportunidades, a de análise e desenvolvimento de sistemas.

Empreendedorismo?

Quando conseguiu voltar para o Recife, ficou incomodada com a falta de espaço para mulheres na área de tecnologia da informação. Começou a se envolver em projetos que buscavam mudar essa realidade. Foi quando ajudou a trazer para o Brasil as iniciativas do Women Who Code e participou da organização do primeiro Startup Weekend Women do País, promovido em João Pessoa, em 2014 (imagem abaixo).

O Startup Weekend que Josi participou antes de organizar a versão Women despertou nela uma vontade que até então não estava nos seus planos: criar seu próprio negócio. Ela era empreendedora e não sabia. Quando descobriu, decidiu seguir com um projeto iniciado no evento, uma plataforma de agendamento para salões de beleza. O projeto era promissor, mas problemas entre os sócios e prejuízos de milhares de reais fizeram a recém-nascida empreendedora abandonar a iniciativa e partir para o desenvolvimento de sistemas, uma atividade que ela já dominava e tinha muito a se explorar.

Desde então, Josi vem tocando a Mangue Tecnologia, empresa que surgiu da sua vontade de criar seu espaço em um mundo que insiste em não facilitar sua jornada. Em 2017, a Mangue completa 5 anos e Josi chega aos 32 como uma referência de qualidade de serviço e atendimento entre seus clientes de software, web e consultoria. Frequentemente convidada para palestras, mentorias, cursos e consultorias em estados do Norte/Nordeste, Josi não cansa de ter que manter o alto nível do seu trabalho como principal escudo contra o preconceito nosso de cada dia.

Vida que segue

Esse é o resumo da jornada de Maria Josilene Santana. Um resumo porque tem muita batalha no meio dessa grande — e talvez interminável — luta: ser uma mulher negra, de origem humilde, em um mundo sequelado pelo machismo e pelo racismo; em um mercado em que homens brancos são a maioria e, independentemente de sua capacidade técnica, concentram a confiança das pessoas, que guardam seus preconceitos para pessoas com o perfil de Josi. Contra tudo isso, um dos recados dela que guardo numa área especial do meu cérebro, onde ficam as inspirações:

“Não deixe ninguém botar na sua cabeça que você não vai conseguir, nem se entregue ao pensamento negativo que essas coisas ruins do mundo trazem. Se você ficar lamentando, não vai chegar a lugar algum”.

Obrigada, Josi.

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