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Code Like A Girl

Priorização, o milagre de agradar a todos

Oremos, irmãos!

O que tenho visto dia após dia na criação de produtos é que existe um vale que distancia o que os patrocinadores do produto querem do caminho que nós precisamos trilhar para chegar de um produto de sucesso.

O principal problema é que este é um caminho incerto, de experimentação, e não existe uma receita pronta de como chegar em produtos que realmente impactem nossos usuários. As respostas para as perguntas feitas só aparecerão no decorrer deste caminho, em um processo que se assemelha muito mais a uma co-criação com time e clientes, além de um processo de validação com usuários.

Não adianta perguntar aos usuários se é “isso” de que eles precisam. Fazer as perguntas certas é importante, mas o Product Manager deve ser um observador de comportamentos, que precisa entender o que se encaixa na vida dos clientes e como fechar as lacunas que não precisam de intervenção divina ou foguetes da NASA para serem preenchidas.

Quando o cliente entra em uma loja da Lush, o atendente não oferece um só grama de produto. Não é assim que funciona a experiência lá.

A Lush vende através da experiência.

Embora os patrocinadores da loja estejam preocupados em “Quanto vendemos no Natal passado? Quanto queremos vender no próximo?” A primeira pergunta que o atendente irá fazer é: “Como você gosta de sentir sua pele? Fresca? Hidratada? E seu cabelo? Volumoso? Macio?”

Quando você menos espera, tem alguém lavando suas mãos com um produto novo, com um cheiro que você nunca sentiu antes. ISSO É EXPERIÊNCIA.

O MVP da Lush consiste em uma experiência que o cliente foi envolvido, sem precisar explicar qual o objetivo de cada produto e sua composição. O cliente sai da loja com cinco ou seis produtos que nunca soube que existiam, mas que satisfazem suas necessidades, enriquecem suas sensações e remetem à um momento de exclusividade oferecido pelo atendente da loja.

Enquanto os stakeholders estão preocupados com quanto tempo uma linha de produtos atingirá uma meta de vendas, o time de produto está focado em aprender com os clientes o que entrega valor mais rápido, otimizando esta entrega dia após dia.

Não, não precisamos de soluções complexas para entregar produtos de valor, precisamos alcançar a fatia de mercado rápido pois ela é um alvo concorrido.

São desejos, dores, necessidades, que estão gritando para serem atendidas há muito tempo. E seu produto com certeza já está priorizado no backlog de alguém, apenas faça.

O maior problema do distanciamento dos stakeholders do time de produto, é que o backlog priorizado (quase) nunca atende a dores reais de um cliente final. Ele é voltado a metas anuais de um grande Banco ou metas de vendas de um e-commerce ou manter os usuários ativos na base… Isso não resolve dores de usuários, resolve os medos de um punhado de pessoas que não querem ser demitidas. Por isso que é tão difícil priorizar.

“Corra, corra, você está perdendo tempo conversando com o usuário! A prioridade já está feita, você precisa ser um bom executor. Acompanhar stories por sprint e manter quem paga pelo produto calmo”.

O desafio diário do time de produto é trazer o time de patrocinadores para o lado certo da força, formando Gerentes de Produtos dentro dos corações frios e cheios de gráficos dos Gerentes de Demandas. O que precisamos na realidade é da mudança de mindset, onde todos são donos do produto olhando para a real dor que precisa ser resolvida: as necessidades dos usuários. E a melhor forma de entender e atender esta dor com rapidez é trazer todos para o mesmo barco.

Clientes = entendimento das suas necessidades

Stakeholders = como a resolução dessas necessidades impactam meu crescimento?

Time de desenvolvimento = qual tecnologia melhor resolve este cenário?

Produto = fazer menos coisas que atendam rápido as dores latentes dos usuários, proporcionando bons resultados para a organização.

Bem bonito tudo isso, e como priorizar?

1. Horizontalizando conhecimento

Ensine aos patrocinadores e ao time de desenvolvimento os porquês do que o time de produto está fazendo. Quando eles entenderem, a confiança será resolvida e você terá mais um marinheiro remando na direção correta.

2. Traga os clientes para dentro do processo criativo

Por mais que o mercado já resolva a dor dos usuários de alguma forma, acredite, entender com resolver esta dor com uma solução mais simples e rápida apenas trará mais clientes naturalmente. O objetivo não é fazer uma solução completa, mas sim resolver questões de uma forma mais simples.

“O grande trabalho do Product Manager é fazer menos, porque nossos usuários não querem mais recursos, eles querem valor” — Teresa Torres

Como Gerente do Produto, sua busca deve estar em entender este valor.

3. Use dados para priorizar

Sim, a empresa possui dados, use-os.

Callcenter? Vendas no período? Analytics?

Apenas use-os.

A força dos dados é imbatível, ninguém consegue olhar para uma feature com dados gritando e simplesmente ignorá-los.

Quando mais rápido você conseguir estreitar a linguagem entre time de desenvolvimento, time de produto e stakeholders, mais fácil e menos doloroso será priorizar.

Estabeleça a relação, crie empatia com os insumos que eles trouxerem e mais rápido você chegará ao Minimum Viable Product.

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