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Quanto a sua saúde mental importa para você?

“Por um lado, todos queremos ser felizes. Por outro lado, todos sabemos as coisas que nos deixam felizes. Mas não fazemos essas coisas. Por quê? É simples. Somos ocupados demais. Ocupados demais fazendo o quê? Ocupados demais tentado ser felizes.” — Matthew Kelly, The Rhythm of Life

Saúde mental é um tema que anda em evidência através de posts na internet, palestras de psicólogos e muitos materiais da categoria auto-ajuda. Só que muitas vezes passamos batido pelo termo e não paramos pra refletir o que realmente significa saúde mental e, mais importante do que apenas saber o significado, avaliar como está a nossa.

A saúde mental inclui nosso bem-estar emocional, psicológico e social. Isso afeta a forma como pensamos, sentimos e agimos. Também ajuda a determinar como lidar com o estresse, relacionar-se com os outros e fazer escolhas. (https://www.mentalhealth.gov/basics/what-is-mental-health)

Por que isso agora?

Eu sempre estudei sobre esse tema mas na prática deixava minha saúde mental de lado. Até que em dezembro eu passei por 2 crises de ansiedade que me fizeram ir parar no hospital, perdi 4 kg e tive uma apendicite que foi tratada cirurgicamente (altas emoções pra começar 2018).

Então esses dias de repouso da cirurgia (apesar de me deixarem extremamente entediada por não poder sair), estão servindo para reflexão sobre o quanto eu (e todo mundo) devia dar mais atenção a saúde mental, aos cuidados consigo mesmo (seja de alimentação, exercícios, menos trabalho, hobbies) e que precisamos de momentos só pra nós (isso não é egoísmo).

Mas isso é frescura!

Algumas pessoas ainda resistem quando o assunto é saúde mental, em algumas culturas inclusive as chamadas mental illness são tratadas como questões religiosas, demônios, bruxas e afins.

Apesar dos avanços que temos hoje, ainda vemos pessoas que não entendem que é uma questão de saúde mesmo, só que não é tão fácil de tratar como tirar um apêndice, por exemplo, e acho que por isso as pessoas preferem ignorar o que não conseguem ver ou resolver com uma receita pronta.

Depressão, ansiedade, síndrome do pânico, nada disso é frescura. Se nossa cabeça não está bem, nada mais funciona. E se ficamos deixando isso de lado, quanto mais tempo passar, mais difícil fica de se recuperar.

Vamos aos dados

Essas são estatísticas nos Estados Unidos (não achei pesquisas sobre isso no Brasil, se alguém tiver esses dados pode usar os comentários e eu atualizo aqui depois).

Segundo a MHA (Mental Health America):

  • 1 em cada 5 adultos tem alguma questão de saúde mental, o que corresponde a 40 milhões de americanos; mais do que as populações de Nova York e Flórida combinadas;
  • a saúde mental entre os adolescentes está piorando. As taxas de depressão grave aumentaram de 5,9% em 2012 para 8,2% em 2015. Mesmo com depressão grave, 76% dos jovens não recebem o tratamento adequado;
  • mais americanos têm acesso a serviços … O acesso a seguros e tratamento aumentou, uma vez que a reforma da saúde reduziu as taxas de adultos não segurados. A maior diminuição nos adultos sem seguro com doenças mentais foi observada em estados que expandiram o Medicaid (Para saber mais: https://www.medicaid.gov/).
  • … mas a maioria dos americanos ainda não tem acesso a cuidados. 56% dos adultos americanos com doença mental não recebem tratamento. Mesmo no Maine, o estado com melhor acesso, 41,4% dos adultos com doença mental não recebem tratamento.
  • existe falta de mão-de-obra em saúde mental. Em alguns estados, para cada 6 pessoas existe apenas 1 profissional de saúde mental. Isso inclui psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, conselheiros e enfermeiras.

Além da quantidade de pessoas que tem algum tipo de problema, chama a atenção os números que se referem aos que não recebem tratamento. Mais da metade das pessoas que sofre com questões de saúde mental não recebe o tratamento adequado.

Conhecendo seus limites

Uma das coisas mais importantes pra mim nessa jornada tem sido conhecer meus limites (ok que eu ultrapassei um bocado eles nos últimos dias, mas isso é outra história).

Tanto os limites físicos quanto mentais, seja aquela desculpa do: "ah são só mais 2 horas extras" ou "puxa, essa pessoa está me tratando tão mal, mas acho que eu consigo fazê-la enxergar os erros e melhorar". E a cada uma dessas desculpas a gente vai ultrapassando nossos limites, nos esgotando e não ganhando nada em troca.

Entenda até onde você pode ir, qual a carga de trabalho que você suporta, até onde esse relacionamento tem partes proporcionais ou se apenas você está investindo, o quanto essa decisão realmente te faz bem ou se você apenas quer seguir a maioria.

Desenhe seus limites e sempre olhe pra eles antes de fazer qualquer coisa.

A armadilha das Redes Sociais:

A gente perde muito tempo numa infinidade de redes sociais, às vezes só rolando páginas e páginas sem fim.

Para pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão isso pode ser um gatilho negativo dependendo de como for usado. Todas as fotos, viagens, famílias, roupas e mais um monte de coisas que vemos nas redes sociais são muito mais bonitos lá, não significa que a vida real seja assim e você não deve se cobrar por isso.

Ninguém gosta de contar as derrotas (você mesmo não gosta), então são fotos de restaurantes legais, viagens incríveis e famílias perfeitas que naquele momento são apenas isso: fotos, ou seja, um registro de um momento específico.

Por isso minha dica sobre Redes Sociais pra quem anda tendo esses sentimentos é: veja vídeos e fotos de animais fofos e bebês. Isso vai te ajudar a se acalmar e sentir mais feliz. Além disso tenha como amigos as pessoas que realmente te fazem bem, não vale a pena ficar revisitando dores do passado ou ter pessoas que você nem tem contato.

Eu sei que é difícil mas também é uma boa reduzir o tempo que você gasta nas redes e passar um pouco mais de tempo só com você. Eu passei a deixar meu celular no silencioso, assim eu não sou avisada quando chegam notificações e não fico aflita para saber o que é. Quando eu quero saber alguma coisa eu apenas vou lá e vejo.

Blz, mas como a gente resolve isso?

“A vida é curta demais” é repetido com frequência suficiente para ser um clichê, mas é verdade. Você não tem tempo para ser infeliz e medíocre. Ser assim não é apenas sem sentido; é doloroso. — Seth Godin

Eis o momento em que me encontro agora: eu sei que preciso cuidar da minha mente mas como eu faço isso? Como encaixar na rotina já tão apertada de trabalho/casa/vida num geral?

Eu tentei tratar o meu caso em alguns tópicos:

  • Lista de pendências: a primeira coisa que eu fiz foi listar as pendências que eu tinha, terminei com uma lista de 24 itens contendo coisas que eu estou postergando fazer já tem um tempinho e até coisas novas;
  • Saúde Física: dado todos os acontecimentos, tá na hora de fazer um check-up, então é mais uma das coisas que eu priorizei. E se tem muito tempo que você também não faz, vale procurar um médico pra ver se está tudo em ordem.
  • Minhas manhãs: já faz algum tempo que eu não tenho conseguido acordar cedo, e isso acaba deixando todo o resto do meu dia meio sonolento e fica a impressão de que eu só trabalhei. Uma outra ação foi tentar criar uma rotina pra tornar minhas manhãs mais produtivas: acordar mais cedo, meditar, ler alguma coisa, fazer atividade física (só depois que passar a recuperação da cirurgia) e tomar café em casa com calma. Além de usar esse tempo da manhã como um tempo pra mim mesma.
  • Diário de Tópicos: esse post do Buzzfeed explica bem como criar um diário de tópicos e por isso não vou me alongar aqui. Mas a ideia principal é você conseguir monitorar sua saúde mental, anote como você está se sentindo fisicamente, seu humor, pelo que você é grato, quantas horas de atividades físicas fez ou quantas horas de TV assistiu. O importante é você ser sincero e escrever exatamente o que está pensando. Para cada sentimento do dia, tente anotar que situação te levou a ter aquele sentimento, isso ajuda bastante a entender como estamos e conseguir pensar em como melhorar.
  • Terapia: voltei a fazer terapia, ajuda profissional também é importante nesse momento.
  • Minhas noites: leitura meia hora antes de dormir e celular no silencioso longe da cama, além disso encerrar o dia com uma oração de agradecimento me traz bastante paz, isso está me ajudando a ficar mais calma e dormir melhor.
Meu Diário de Tópicos

Rede de apoio ❤

Juntos somos mais fortes ❤

Eu sempre soube do poder de ter uma Rede de Apoio mas nunca tinha utilizado tanto quanto nos últimos dias, e isso me possibilitou viver uma experiência extraordinária.

Desde as crises de ansiedade ainda no RJ, quando passei uns dias dormindo na casa da Andressa Chiara para não ficar sozinha, até a emergência da cirurgia em SP onde apareceram várias pessoas se oferecendo pra ficar comigo no hospital, pegar minhas coisas, fazer comida pra mim e me abrigar em casa.

Se você ainda não tem, crie uma Rede de Apoio com pessoas de confiança que você pode procurar quando precisar de ajuda. Você não precisa e nem deve enfrentar tudo sozinho.

Relacionamentos

A melhor frase que eu ouvi nos últimos dias foi da minha terapeuta:

Você quer ser a heroína da vida de tantas pessoas e acha que pode salvá-las, quando na verdade quem precisa ser salva é você.

Essa frase pode ser totalmente aplicada a todos os relacionamentos que temos na vida (seja de amizade, familiar, amoroso, ou qualquer outro). Às vezes passamos boa parte do nosso tempo tentando resolver os problemas dos outros e deixamos de lado as nossas necessidades. Aqui cabe muito bem a metáfora da máscara de oxigênio no avião: put your mask on first.

Se você tentar colocar a máscara na pessoa do seu lado primeiro, você vai ficar sem ar e não vai conseguir salvar a ninguém, ou talvez você até consiga salvar a outra pessoa mas no final você sai acabado.

Qualquer que seja o relacionamento, ele deve fazer você se sentir bem. É óbvio que ninguém é perfeito, as pessoas se desentendem e isso é normal. Mas quando isso passa a afetar quem você é, e te faz duvidar de si mesmo, tá na hora de reavaliar. Deixar ir é doloroso, mas muito mais doloroso é ver que as pessoas ao seu redor estão com as máscaras e você não tem mais forças pra colocar a sua.

Mantenha ao seu lado quem te faz bem e se preocupa com a sua saúde mental.

Vi no facebook da Juliana Dias

Mas e se mesmo assim eu ainda tiver dias ruins?

Keep Calm & Break Rules

Não é um problema continuar tendo dias ruins mesmo depois de tudo isso, acontece com todo mundo.

O importante é lidar com esses momentos justamente da forma que eles são: momentos, ou seja, um período de tempo que vai passar.

Quando se sentir mal quebre a sua rotina, vá dar uma volta num parque, pare para fazer meditação, veja vídeos de coisas fofas e respire devagar até você se sentir melhor. Além disso, ao invés de ficar apenas lembrando dos momentos ruins, faça uma forcinha pra relembrar do que te deixa feliz e de como você é incrível.

Conversar com amigos também ajuda muito, então acione sua rede de apoio sempre que precisar e não fique sozinho. 🙂

Concluindo

Eu e você precisamos nos dedicar ao nosso desenvolvimento pessoal, ninguém vai fazer isso por nós.

E quando falo em desenvolvimento pessoal, não se trata apenas de se aperfeiçoar no trabalho, fazer um curso, ganhar mais um diploma ou esse tipo de coisas, significa se desenvolver como pessoa em todas as áreas da vida. E principalmente fazer o que você gosta, além de se permitir fracassar às vezes porque isso faz parte da vida. A diferença está em como você lida com as situações e o quanto isso te afeta.

Mesmo assim ainda vão ter dias que os pensamentos se confundem e bate aquele desânimo, mas não precisa se desesperar, respira fundo, leia seu diário de tópicos, lembre das coisas pelas quais você é grato e tudo que conquistou até aqui. Tudo isso é apenas um momento e vai passar.

Apenas continue a nadar 🙂

Links que vale a pena ler

Seguem algumas referências que me inspiraram a escrever esse texto, recomendo muito a leitura:

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