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Uma caixa de Pandora

Caixa de Pandora: como saí e voltei ao mercado de trabalho

Photo by Nikita Kachanovsky on Unsplash

Sabe aquelas crianças que andam com uma caixinha de pandora? Eu fui assim. Curiosa, criativa, até amigos invisíveis eu tinha! Eu amava criar micromundos, roupas, personagens, aventuras, era também completamente encantada com coisas que tivessem a ver com algum tipo de tecnologia, e queria entender como elas funcionavam (sempre desmontando alguns eletrônicos pela casa…). Cresci e continuei com minhas paixões.

Sonhadora, porém sem muita noção do que estava fazendo, escolhi Publicidade e Propaganda como curso superior. Fiz o curso no período noturno no Mackenzie, e isso possibilitou que eu estagiasse quase durante todos os quatro anos. Passei pelas maiores agências de propaganda da época, mas eu sentia que apesar de tudo, aquilo que eu fazia não me encantava. Eu não me via ali no futuro.

Meu lado empreendedor me chamou pela primeira vez na época que eu tinha acabado de me formar: criei uma microempresa de produtos artesanais de banho. Comecei fazendo sabonetes, mas a paixão cresceu de uma forma tão grande que eu criei linhas de produtos diversificados. Um ano e meio depois, eu não quis continuar com o negócio, pois não queria me envolver com a burocracia da regulamentação de se tornar uma pequena empresa. Neste momento eu decidi voluntariar na ONG da Mara Gabrilli, e acabei ficando com ela durante quatro anos, passando pela Prefeitura e Câmara Municipal de São Paulo!

Neste meio tempo eu casei com o Felipe, com quem já namorava há cinco anos. No início de 2008 fiquei grávida e uma sensação de incômodo tomou conta de mim. Parei de trabalhar aos quatro meses de gestação e decidi focar no projeto “mãe“. O João Pedro chegou e com ele também a responsabilidade de criar um ser humano do bem — peraí que tem mais — dois anos e meio depois chegou Carlos Eduardo para completar a família.

Fui mãe em tempo integral e com muitas horas extras. Eu cuidei, brinquei, eduquei, briguei, chorei, limpei, fiquei sem dormir, perdi minha identidade! Quando me dei conta disso, achei que dali eu não iria para nenhum lugar, afinal quem me contrataria no mercado profissional que eu conhecia anteriormente?

Com o apoio do maridão, comecei a me mexer para me encontrar novamente. Enquanto os meninos estavam na escola, eu estava em busca de algo: virei freela de design gráfico, foi corretora de imóveis “bacanas“, trabalhei na gráfica da minha família e no meu segundo projeto empreendedor, um ateliê de papelaria e encadernação, o Foglio.

Encontrei uma amiga da faculdade no Facebook que estava sempre compartilhando eventos de tecnologia com foco em mulheres. A Samanta Lopes abriu meus olhos para aquela Marcella que eu tinha perdido!!

Fui atrás e fiz cursos de lógica de programação, HTML5, CSS3, Arduíno, e participei de vários workshops. Encontrei diversas mulheres que, como eu, amam tecnologia e que acreditam que este é o nosso lugar. Sensibilidade, empatia, união, aprendi o que é sororidade ❤. Ingredientes perfeitos que fazem de nós, mulheres, profissionais incríveis.

O que revolucionou minha recente caminhada foi uma vaga para um curso do MIT no Insper que conquistei. Participei do MIT Global Startups Labs, um programa intensivo de seis semanas com objetivo de moldar e incubar uma startup baseada em tecnologia com a mentoria dos instrutores do próprio MIT. Tive a honra de participar do projeto do TechEdu, uma edtech que tem como como objetivo fornecer ferramentas tecnológicas, noções de empreendedorismo e design thinking para jovens do ensino médio público.

UAU! E não é que eu descobri que a educação é uma das minhas paixões? Pensei em aliá-las e me juntar ao movimento maker!

Hoje, sou educadora maker um colégio particular. Coloco em prática os conceitos de Aprendizagem Criativa, ensinando jovens na prática e aprendendo muito com eles também.

Aprendi que aprender e se adaptar é algo eterno. A transformação digital faz parte da minha reinvenção em constante evolução e através dela, evoluo e ajudo outras pessoas a evoluir também.

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